5.6.09
Microcontos (dez palavras) para Tweeter
Tua mãe se adoentava e trazia homens pra sarar dela.
{Desde ontem, o danado do Marcelino Freire - que andou lendo Mcs meus em oficina do Sesc Campinas e...gostou deles - estará publicando 1 microconto por dia no Tweeter até chegar a mil! Embarco nessa com proposta equivalente e equidistante: a cada dez dele publico um meu, até enloquecermos todos. Prometo jogar a toalha no caso de perceber, nos meus, um comprometimento da narratividade ou um descambar para o aforismo, o anedótico puro, etc.}
1.6.09
Pasmem com Divulgação Viral do P.Stalker. Tenho 4 contos lá.
Portal Stalker from NEOCRONICA.ORG on
Portal Stalker from NEOCRONICA.ORG on Vimeo.
26.5.09
22.5.09
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Tudo muito ligeiro, da emboscada ardilosa, fisgada por uma premonição, ao momento de perceber o quanto estava desorientado. Indisposto, sobretudo; não apenas fisicamente, mas pela horripilante constatação do grau de indisponibilidade... a si próprio. Mais ainda – pela sua indiferença baça àquela condição limite. A forma como se dirigiam a ele trazia embutida nos gestos estereotipados, uma espécie de repulsa polida, de gentileza protocolar que não escondia o clima de apreensão. Era grave, disso sabiam. Alardeava-se essa gravidade na razão inversa do silêncio em torno. Estava só.
O celular que, implantado faz tempo no dente vinte e sete, fora desabilitado e não emitia sinais auditivos. O campo colocado entre o queixo e o tronco não lhe permitia qualquer inferência sobre a natureza da intervenção que seu corpo sofria, sofrera ou estava em vias de receber. Aparelhagem que o cercava, revestida pelas prudências de uma presumível assepsia, não lhe dizia nada. Nada lhe dizia nada. Não estava sedado, no entanto, nem mergulhado em estado crepuscular de consciência – ele saberia – mas reduzido, inexoravelmente, à indisponibilidade àquilo que o significasse.
Muito rápida e impessoal minha primeira interação verbal com alguém (que aparecera na mesma premonição), de gênero indefinido, semblante inacessível pelo rigor com que se paramentava para colher meu histórico, nada mais vago...
“-Bem-vindo ao Casulo, Senhor...?
“-Senhor... Bom começo! Senhor quem e em que circunstâncias, pode me dizer?
“-O quadro parece evoluir para Dissociação Episódica Inespecífica. Até breve!”
Perplexo, só lhe ocorria que a tampa de seu crânio fora serrada e o cérebro, exposto, prestava-se à monitoração da reatividade de algumas estruturas. Mas, com que propósito, experimental (de quê?) ou terapêutico (para quê?)... Vacuidade; um tanto faz.
Encarava as coisas do cérebro, no entanto, sem perplexidades. A dor (que eu não sentia, pois, no cérebro não há dor, nem luz), o sentido do tempo (este que se mantinha preservado, até por saber que, o que quer que estivesse acontecendo consigo, a premonição já lhe narrara...) eram parte de um festival particular de discretos aminoácidos, de cujas peripécias era um mero coadjuvante, nada iluminista. Torpor, nenhum, exceto o nome do artista de quem recordo alguns cartuns de humor e a fala de um personagem: “Que direito tem meu cérebro de se chamar de eu?”, perdida no tempo.
Então lhe apresentaram num plasma que se descortinou, do nada, diante de meus olhos, um retângulo, no interior do qual, uma frase e um diagrama, também retangular, com um signo dentro, pareciam dispostos a mensurar ou aferir algo de si: “CONFESSA QUE PRETENDE”, lia, e olhava o signo sem nenhum sentido ao lado. E, fosse lá o que fosse, trazia alguma atração nova àquele festival neuroquímico, com suas substâncias bailando a deriva, à revelia de qualquer evento externo que lhes exigissem algum alvará e se assenhoreasse do meu tempo narrativo, até então, todinho de seu cérebro-música só.
“-Alô! Quanto tempo passou desde que estive fora daqui até agora e este teste?”
“-Exijo meus direitos de paciente desta porra! Ou os direitos dele, de cobaia, é!”
“-Meu tarefário está em dia, impostos idem! Cárcere privado? Ditadura cyber!
Por mais que eu berrasse não lhe retiravam o bizarro teste do plasma nem o próprio plasma de seu campo visual. “Premonitar está proibido pelas neurociências?”, brincou, tentando divertir-se com aquela bizarrice toda, para além do risco de, sei lá...
Se ainda tinha o tempo subjetivo como soberano daquela narrativa pueril, este começava a lhe doer no estômago; sentia o nervo vago. O paciente-cobaia precisava agir e gritei-“Não tenho pretensão de ser confessional!” Até porque cerceada a tensão:ser-se!
2.5.09
"Punho na Goma"- Microconto dez palavras
Quando meu pai punha terno, ficava mais educado com santa
6.4.09
"Baixo-ajuda"-Microconto monofrásico, dez palavras
(Ouça leitura no www.gengibre.com.br , CANAL> LITERATURA > araujobueno)
17.3.09
"Holograma"- Conto breve,sci-fi, com toque experimental
Com seus parcos recursos, morando distante dos Núcleos de Segurança, aquele colapso da energia desconfigurou-lhe em sua noção de pertença, de conexão mínima com os seres de qualquer natureza. Prudência, Mitcei!, ruminava. Sensação de cessação...
Dos medos, o da putrefação de suas provisões, parcas, e dos micro-organismos morais que o assaltariam, puntiformes ou em bloco, precavia-se com algas e mantras. Plantou em si alguma ira. Medo e raiva que se excluíssem mutuamente. Dormiu.
O que o despertou de um sono branco foi a barulheira do silêncio. Um silêncio geométrico e pantanoso conspirava por onde quer que a vista tocasse. E que o tocava também; pupilas dilatadas, turbulência circulatória – serpentário virtual, onipresente.
Tempo e silêncio, este binômio do luxo e privilégio de castas predatórias, pois sim, mas Mitcei sabia que a falta deste era suportável pela impossibilidade daquele.Acuado, viu-se refletindo como filósofo. Refletir, agora, – outro luxo. Agir, sim.
Refazer o trajeto civilizatório, recuperar tecnologias – agir com as mãos, esculpir objetos! Então, reaver imagens que confirmassem sua condição humana, de civilidade, ainda que parca, porque ele era assim recluso, refratário aos elos civilizados.
Usou resina antiga para moldar uma dançarina com espátula – ei-la! Tosca, porém – tangível, direto de sua imaginação sedentarizada. Mitcei apelidou-a: Altamira. Arriscou-se a capturar algo de Sol, na falta do laser, e da reconstrução do campo óptico dentro de um cilindro surgiu a holografia de Altamira, posta em pedestal. Não se movia, não dançava a dançarina; caberia a ele orbitar à volta dela, recitando os mantras que ela lhe inspirasse, oscilante como os feixes de luz solar. Teve alucinações; pensou ouvi-la recitar.
Às vezes pensava no seu tarefário, no tudo que deixara de fazer. Prudência, homem! E desabava soterrado pelo dever de fazer, de plantar. Por quanto tempo essa inflação de tempo? E cessada a cessação, que outra sensação?
Masturba-se às vezes, noutras, deambulava a esmo pelo iglu que recobriu de lã sintética. Às vezes, apavorado e desnutrido, esbarrava em vultos. Por onde teriam violado seu recanto? Teriam descoberto Altamira? Altamira sequestrada, dessacralizada?
Armou-se, inflamou a ira para neutralizar o medo. Altamira suplicou-lhe proteção, já não mais recitava nunca! Retirou-a do cilindro, destruiu o pedestal e o campo óptico. Envolta em celofane, pensava ouvi-la sussurrando, como se privada dos sentidos.
A espessura daquele silêncio...O espectro da insanidade. Quanto tempo dura uma privação assim? Um fenômeno global? Dariam falta dele, o Mitcei refratário, recluso?Saberiam da tutela de Altamira que sussurrava entre suas luvas congeladas? O fim?
Uma draga que percorria a região pousou à distância segura. Pandemia de malária, nômades revoltosos, vazamento radioativo...sabe-se lá. Do interior do sítio, murmúrios indecifráveis. Alguém registrou (à margem): “Assemelha-se à cantiga de ninar”.
24.2.09
DEBATE SOBRE SCI-FI NA L.CULTURA-SEXTA/13!

[LEIA MAIS A RESPEITO NO "FESTINA LENTE": www.literaujobueno.blogspot.com ]
PORTAL NEUROMANCER: UMA EXPERIÊNCIA COLETIVA
Livraria Cultura Shopping Center Iguatemi
Dia 13 de março, sexta-feira
A partir das 19h
O antropólogo e escritor Carlos Rodrigues Brandão conversará com o psicanalista e escritor Marco Antônio de Araújo Bueno e o jornalista e escritor Roberto de Sousa Causo sobre a relação da ficção científica com os outros gêneros, e a experiência de criar uma revista colaborativa, numa homenagem aos antigos fanzines, mas com uma nova linguagem.
Após o evento os autores autografarão seus livros.
Carlos Rodrigues Brandão é antropólogo, pós-doutor em Ciências Sociais e professor da Unicamp. É autor dos livros Encantar o mundo pela palavra (Papirus, 2006) e Minha casa, o mundo (Idéias e Letras, 2008), entre outros. Mora em Campinas, SP.
Marco Antônio de Araújo Bueno é psicanalista lacaniano, com mestrado e doutorado pela Unicamp. Publicou Tive um sonho estranho (Unicamp, 2003). Assina a coluna Cotidiano da revista Showroom. Mantém o blog Festina Lente (www.literaujobueno.blogspot.com). Mora em Campinas, SP.
Roberto de Sousa Causo é ficcionista e ensaísta. Publicou, entre outros, A corrida do rinoceronte (Devir, 2006) e O par (Humanitas, 2008), e organizou a antologia Os melhores contos brasileiros de ficção científica (Devir, 2008). Mora em São Paulo, SP.
Livraria Cultura Shopping Center Iguatemi
Av. Iguatemi, 777 - Lojas 4 e 5 - Piso 1
Vila Brandina - Campinas - SP
Tel.: (19) 3751-4033
P R O J E T O P O R T A L
A revista Portal Neuromancer — segundo número do Projeto Portal, coordenado por Nelson de Oliveira — traz contos inquietantes que vão do universo da ficção científica ao do fantástico, passando pelo da fantasia.
São dezessete narrativas sobre novas tecnologias, viagens no tempo, ciberespaço, telepatia, pós-apocalipse, pós-humano, utopias e distopias, de doze autores contemporâneos, em nove EStados.
O Projeto Portal prevê seis números, com periodicidade semestral. Cada número homenageará, no título, uma obra célebre da ficção científica: Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit.
Os contistas da Portal Neuromancer são: Ana Cristina Rodrigues (RJ), Ataíde Tartari (SP), Fábio Fernandes (SP), Geraldo Lima (DF), J. P. Balbino (RJ), Jacques Barcia (PE), Lima Trindade (BA), Luiz Bras (SP), Marco Antônio de Araújo Bueno (SP), Roberto de Souza Causo (SP), Rogers Silva (MG) e Tiago Araújo (SP).
P O R T A L N E U R O M A N C E R
revisão: MIRTES LEAL • diagramação: RAQUEL RIBEIRO • capa: TEO ADORNO
formato: 16 X 23 CM • nº de págs.: 120 • tiragem: 240 EXEMPLARES
oliveira.e.cia@uol.com.br [Trinta exemplares serãopostos à venda após o evento]
23.2.09
"Brevidades ao Ponto" (e-book no www.bookess.com/profile/araujobueno

Esta é a capa do E-book "Brevidades ao Ponto" no site acima. Contos breves (gênero sci-fi, inclusive)e microcontos, alguns com mais de dez palavras (os monofrásicos trabalhados no doutorado, ao jeito moterrosiano). Não sei se o considero "pronto" tendo em vista o formato da publicação. E aguarda os pitacos, sempre.
6.2.09
CONTOS e MICROCONTOS LIDOS POR QUEM OS ESCREVE
Há três dias apenas enredado nos intestinos do site, lá estão vinte e seis textos entre contos breves, não tão breves (em três segmentos de seis minutos de leitura, com prosódia e tudo, o "Transcurso de Vida") e, claro - os microcontos que, lá, encontram seu locus privilegiado. Cadastrem-se e flutuel sobre o relevo fônico da voz do autor que, agora sim, tem um projeto de leitura para seus textos. E lhes adianto - inspira-me a idéia de leitura precinizada por João Gilberto Noll. Sim!
Oportunamente, aos mais refratários, publicarei parte dos links que remetem leitura que andei cometendo no tranco, na emoção do reencontro com a palavra escrita no momento em vicejam suas potencialidades não gráficas - a inflexão e modulação, o timbre...A ferramenta promete. Agradeço-lhes sugestões e pitacos.
Abraços e até não sei (tal como o filósofo islovênio Slavoj Zizek, lacaniano também,tenho minhas reservas quanto ao carnaval. Ele explica isso melhor; é fera!)
31.1.09
´Do forno: "HOLOGRAMA" e créditos ao "Soneto Visual"

Este "Soneto Visual", belíssimo pelas túrgidas metaforonímias, é deautoriade Avelino Araújo. Ilustra o meu grupo "Madeleines & Brevidades Arte-Ofício" no Plaxo Pulse e, até agora, não havia publicado seus devidos créditos. Aí está, "primo"; ainda que seja pelo parentesco das afinidades estéticas.
E o conto breve (experimental)- "Holograma" está disponível para envio (mediante certos critérios)pelo araujobuenopsi@gmail.com Trata-se de mais uma peça sci-fy, inédita e a permacer assim até segunda órdem
27.1.09
Parte 6 do registro da mesa redonda_Lançamento PORTAL NEUROMANCER-PUC-SP
Momento em que Roberto S. Causo interpela minhas narrativas no que tange às citações, à questão da "tradição", ao processo criativo, etc.
12.12.08
"Processador Central"- Sci Fi publicado no Ganganta da Serpente
ATENÇÃO:O conto "A Fila", publicado na revista PORTAL NEUROMANCER, p.49, começa assim: Não lhe causou estranhamento algum quando, (...) e não com o "INSTALOU-SE O CAOS;" como saiu na publicação e era uma alternativa para o início dp penúltimo parágrafo do conto, que enviei para revisão. Corrijam e desculpem.
10.12.08
Mesa-redonda sobre "Sci-Fi"-Lançamento *NEUROMANCER*_Youtube
2.12.08
O "PORTAL NEUROMANCER" por Rogers Silva, colega
Confira acima o blog de um dos autores (este,
de Uberlândia-MG) e como veiculou a filosofia
do projeto de uma coletiva editorial.
29.11.08
O Portal Neuromancer — segundo número do Projeto Portal, coordenado por Nelson de Oliveira — traz contos inquietantes que vão do universo da ficção científica ao do fantástico, passando pelo da fantasia.São dezessete narrativas sobre novas tecnologias, viagens no tempo, ciberespaço, telepatia, contatos imediatos do terceiro grau, pós-apocalipse, pós-humano, utopias e distopias, de doze autores contemporâneos.
Aviso importante: o projeto não se destina ao grande público. Cada autor receberá apenas 20 exemplares, que serão vendidos ou dados a leitores escolhidos.
Os contistas do Portal Neuromancer:Ana Cristina Rodrigues / Ataíde Tartari / Fábio Fernandes / Geraldo Lima / Jacques Barcia / J. P. Balbino / Lima Trindade / Luiz Bras / Marco Antônio de Araújo Bueno* / Nelson de Oliveira / Roberto de Sousa Causo / Rogers Silva / Tiago Araújo******
* vide "FESTINA LENTE": www.literaujobueno.blogspot.com
**************************************************************************************************
11.11.08
Link do meu perfil no PORTAL LITERAL. Zeus lhe pague!
10.11.08
"Tejo"_Na MINGUANTE 12- Nov/2008 (lapsus linguae)
6.11.08
"Esse Tempo Insondável..."_Conto breve IV
12.10.08

6.10.08
TINTA FRESCA: Revista "NEUROMANCER" vem pro Natal
25.9.08
Primeiro CONCURSO DE MICROCONTOS PELO TWITTER-140
18.9.08
POSTADO NO "FESTINA LENTE":www.literaujobueno.blogspot.com
1.9.08
1.8.08
No "FESTINA LENTE"(www.literaujobueno.blogspot.com)-o porquê disso
Ilustração: Personagem narrador do conto inédito "Hora e Vez da Pardoca" que concorreu no "Off-Flip"/2008.Aguardem o Fragmento I da tese de doutorado "Brevidade e Epifania na Micronarrativa contemporânea"
na seção "MICROTEORIAS" da próxima edição da única revista internacional de micronarrativas e um microconto-despedida (provisória, do gênero) no mote
"Desejo" (www,minguante.com) e confiram, no recente
site de relacionamento do Google para escritores - 0
www.euautor.com.br a dúzia de textos de diferentes gêneros (poesia, soneto-acróstico, ensaio, conto e microconto, claro) lá postados como "batedores" do condensado teórico qualificado na Unicamp no último (!)
13 de Maio, que decidi não levar à defesa em 20 de Agosto próximo. E que não consegui carregar, malgrado
tentativas seguidas. Questão de extensão, será?! A gosto, a têmpera oxigenada de uma incursão ao conto breve
de ficção científica, prenhe de virtualidades e de ausência de marcadores temporais. No forno. Entre, Agosto!




